Astrofotógrafo registra incrível alinhamento no céu noturno
Em visita ao Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), o astrofotógrafo e embaixador fotográfico do ESO, Yuri Beletsky, teve a sorte de capturar um incrível alinhamento: 3 esferas celestes – a maior, é a cúpula de um dos 4 telescópios auxiliares do VLT; flutuando acima do telescópio auxiliar, está a Lua; e, acima, Vênus, nosso vizinho planetário (Foto: Y. Beletsky, LCO/ESO)
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Astrofotógrafo registra incrível alinhamento no céu noturno

Registro é composto por 3 esferas celestes: telescópio auxiliar do VLT, Lua e Vênus.

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Céu de fogo no anoitecer do Deserto do Atacama
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Céu de fogo no anoitecer do Deserto do Atacama

Elas podem não ser as melhores amigas dos astrônomos, mas as nuvens costumam ser bem-vindas para os fotógrafos em raros momentos em que enfeitam o céu do deserto: essa cena bastante incomum mostra o céu de fogo acima do Observatório Paranal, do Observatório Europeu do Sul (ESO), no anoitecer do seco e alto Deserto do Atacama, no Chile, lar do Very Large Telescope (VLT) – 3 dos 4 telescópios unitários que forma o VLT podem ser vistos na imagem, com suas cúpulas fechadas.

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‘Borboleta espacial’ capturada por telescópio

Esta é uma bolha de gás, conhecida por NGC 2899 – localizada entre 3 mil e 6,5 mil anos-luz de distância da Terra, na constelação da Vela -, em novo registro feito pelo Very Large Telescope (VLT) – do Observatório Europeu do Sul (ESO). O objeto, que se assemelha muito a uma ‘borboleta espacial’, nunca havia sido fotografado com detalhes tão impressionantes como agora.

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Esta é a 1ª imagem de um sistema planetário múltiplo em órbita de uma estrela como o nosso Sol
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Esta é a 1ª imagem de um sistema planetário múltiplo em órbita de uma estrela como o nosso Sol

O Observatório Europeu do Sul (ESO) divulgou, esta semana, o primeiro registro feito pelo Very Large Telescope (VLT) de uma estrela jovem semelhante ao nosso Sol – com ‘apenas’ 17 milhões de anos, localizada na constelação da Mosca, a cerca de 300 anos-luz de distância e batizada de TYC 8998-760-1 -, acompanhada por 2 exoplanetas gigantes: imagens como esta são extremamente raras e, até agora, os astrônomos nunca tinham observado, de forma direta, mais que um planeta em órbita de um conjunto como o Sistema Solar.

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Concepção artística da estrela desaparecida
Ciência

Telescópio flagra desaparecimento de uma estrela massiva

Com informações do ESO

Com o auxílio do Very Large Telescópio (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), astrônomos se depararam com um mistério cósmico: deram falta de uma estrela instável massiva numa galáxia anã, o que, segundo eles, pode indicar que a estrela se tornou menos brilhante e parcialmente obscurecida por poeira. Outra explicação seria que a estrela colapsou em um buraco negro sem produzir uma supernova. O estudo foi publicado, esta semana, na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Se for verdade, esta pode ser a primeira detecção direta de uma tal estrela gigante terminando a sua vida deste modo

Andrew Allan, líder da equipe e estudante de doutorado no Trinity College Dublin, Irlanda

Entre 2001 e 2011, várias equipes de astrônomos estudaram uma misteriosa estrela massiva, localizada na galáxia anã Kinman, tendo as suas observações indicado que este objeto se encontrava num estado final de evolução. Allan e colaboradores na Irlanda, Chile e Estado Unidos, queriam saber mais sobre como é que estrelas muito massivas terminam as suas vidas e a estrela na galáxia anã Kinman parecia ser o alvo perfeito para este estudo: no entanto, em 2019, quando apontaram as lentes do telescópio para a galáxia distante, não conseguiram encontrar a assinatura da estrela.

Em vez disso, e surpreendentemente, descobrimos que a estrela tinha desaparecido!

Andrew Allan

Localizada a cerca de 75 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação de Aquário, a galáxia anã Kinman está muito longe para que os astrônomos possam observar estrelas individuais, no entanto podem ser detectadas as assinaturas de algumas delas.

Imagem em grande angular da região do céu onde está localizada a galáxia anã Kinman
Imagem em grande angular da região do céu onde está localizada a galáxia anã Kinman (Foto: ESO/Digitized Sky Survey 2. Reconhecimento: Davide De Martin)

Entre 2001 e 2011, a radiação emitida pela galáxia mostrou de forma consistente evidências da existência de uma estrela ‘variável azul luminosa’ cerca de 2,5 milhões de vezes mais brilhante que o Sol. Estrelas deste tipo são instáveis, mostrando, ocasionalmente, variações drásticas no seu espectro e brilho. Apesar destas variações, as variáveis azuis luminosas apresentam traços específicos que os astrônomos conseguem identificar, mas estavam ausentes dos dados que a equipe coletou em 2019, deixando-os imaginando o que teria acontecido com a estrela.

Seria altamente incomum que uma estrela massiva deste tipo desaparecesse sem produzir uma explosão de supernova muito brilhante

Andrew Allan

Em agosto de 2019, o grupo observou a estrela com o instrumento Echelle SPectrograph for Rocky Exoplanets and Stable Spectroscopic Observations (Espresso), utilizando os 4 telescópios de 8 metros do VLT simultaneamente. No entanto, não foram encontrados nenhuns dos sinais que apontavam anteriormente para a presença da estrela luminosa. Alguns meses mais tarde, o grupo utilizou o instrumento X-shooter, montado também no VLT, e mais uma vez não se observaram sinais alguns da estrela.

É possível que tenhamos detectado uma das estrelas mais massivas do Universo local desaparecendo. A nossa descoberta não teria sido possível sem o uso dos telescópios de 8 metros do ESO, os seus instrumentos poderosos e o acesso rápido que tivemos a estas infraestruturas graças ao recente acordo de adesão que a Irlanda assinou com o ESO

Jose Groh, integrante da equipe, também do Trinity College Dublin

A Irlanda tornou-se um Estado Membro do ESO em setembro de 2018.

A equipe analisou, em seguida, dados anteriores recolhidos com os instrumentos X-shooter e Ultraviolet and Visual Echelle Spectrograph (Uves), ambos montados no VLT, no deserto chileno do Atacama, e também dados de outros telescópios.

A Infraestrutura do Arquivo Científico do ESO nos permitiu encontrar e usar dados do mesmo objeto obtidos em 2002 e 2009. A comparação dos espectros Uves de alta resolução de 2002 com as nossas observações de 2019 obtidas com o mais recente espectrógrafo de alta resolução, o Espresso, foi especialmente reveladora, tanto do ponto de vista astronômico como do ponto de vista instrumental

Andrea Mehner, astrônoma do ESO no Chile, que participou no estudo

Dados mais antigos indicavam que a estrela na galáxia anã Kinman poderia estar passando por um forte período de explosão que, muito provavelmente, terminou algum tempo depois de 2011. As estrelas variáveis azuis luminosas tais como esta têm tendência para sofrer enormes erupções ao longo das suas vidas, fazendo com que a sua taxa de perda de massa e luminosidade aumentem drasticamente.

Baseando-se nas suas observações e modelos, os astrônomos sugeriram duas explicações para o desaparecimento da estrela e ausência de uma supernova, relacionadas com esta possível explosão. A explosão pode ter resultado na transformação da estrela variável azul luminosa numa estrela menos luminosa, que pode também estar parcialmente escondida por poeira. Alternativamente, a equipe diz que a estrela pode também ter colapsado em um buraco negro, sem produzir uma explosão de supernova. Este último evento seria, contudo, muito raro: o nosso conhecimento atual relativo ao fim da vida das estrelas massivas indica que a maioria delas termine a sua vida sob a forma de supernovas.

Estudos futuros são necessários para confirmar o que aconteceu com essa estrela. O Extremely Large Telescope (ELT), planejado para começar a operar em 2025, será capaz de distinguir estrelas em galáxias distantes, como a galáxia anã Kinman, o que irá ajudar a resolver mistérios cósmicos como este.

Foto: ESO/L. Calçada

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